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Postado por: Yalli Oliveira em November 5th, 2009
Brasileiros no exterior, Programa ICP - Disney
Hoje, dia 5 de Novembro de 2009, daremos continuidade a série de entrevistas com brasileiros que participaram do programa de trabalho da Disney, Flórida. O programa se chama Walt Disney World International College Program, no qual é oferecido a oportunidade para brasileiros, e estudantes de outros países, uma vaga para que eles possam morar, trabalhar e estudar nos parques e hotéis da Walt Disney World® Resort, em Orlando, Flórida, EUA.
As entrevistas serão feitas com brasileiros de todas as partes do país. Hoje, Vanessa Scherer vai nos contar um pouco de como foi trabalhar na Disney por quase 3 meses. Vanessa, natelense de 22 anos, participou do programa entre os meses de Novembro de 2009 à Janeiro de 2010. Confira a entrevista:
BrazilianAbroad.com – Como você ficou sabendo do programa de trabalho na Disney? Através de empresas? Amigos?
Fiquei sabendo do programa a primeira vez pela minha mãe, só que eu ainda estava cursando o segundo ano no ensino médio, então não foi possível participar. A segunda vez, através de um amigo do Rio, que trabalhou nos jogos Panamericanos comigo, e que também iria participar do programa.
BrazilianAbroad.com – Explique-nos como foi o processo de aprovação para o trabalho na Disney. Foi difícil? Como foram os testes? Você precisou estudar para isso?
A primeira entrevista aconteceu em Recife, assistimos a um vídeo sobre o programa, recebemos alguns panfletos falando sobre, e também sobre a empresa, logo após nos chamaram em grupos de três pessoas para fazer algumas perguntas em inglês sobre o motivo pelo qual nos gostariamos de participar do programa, e algumas perguntinhas sobre a disney, nada demais. A segunda entrevista aconteceu em Fortaleza, com o grupo selecionado após a primeira entrevista, desta vez nos mostraram os tipos de trabalho que nos eram disponíveis, os alojamentos, uma visão mais profunda do que encontrariamos por lá. Desta vez a entrevista seria feita com os recrutadores da Disney. Fomos chamados em duplas, e as entrevistas pareciam mais um avaliação do nosso perfil psicológico. Perguntaram sobre tatuagens, sobre os motivos pelos quais queriamos ir, o que nos iriamos dizer aos nossos amigos de outros países sobre o Brasil, quais eram nossos planos futuros (acredito que para saberem se tinhamos alguma intenção de ficar e morar por lá, coisa que eles não querem). É uma entrevista bem simples, onde a pessoa só precisa ser ela mesma, sem forçar a barra pra tentar ser aceita.
BrazilianAbroad.com – Como você ficou sabendo que foi aprovado(a) para o programa de trabalho na Disney?
A STB, empresa responsável pelo intermédio do programa ICP, liga e manda um e-mail para você, dizendo que você foi aprovado, e mandando um log e senha para que possamos acessar pelo site deles a página dos aprovados, é por meio desta área de aprovados, que é possível acompanhar passo a passo tudo que precisamos fazer, documentos de que precisamos, entrevistas pré-viagem, tudo bem detalhado, para que a pessoa não fique perdida, nem esqueça alguma coisa.
BrazilianAbroad.com – Quanto tempo você ficou trabalhando na Disney? Em que período do ano?
Cheguei para trabalhar no dia 17 de Novembro de 2008 e fiquei até o dia 23 de Janeiro de 2009. Mas na primeira semana eles apenas nos levam a palestras, e para assinar documentos, para garantir que não diremos nada do que vimos por lá, e que qualquer idéia que tivermos lá dentro, a autoria pertence a Disney.
BrazilianAbroad.com – Qual foi sua melhor aventura enquanto participava do programa (a melhor parte da viagem)?
A viagem inteira foi aventura! Desde o primeiro momento… mas para mim, que tinha um sonho de ir a Disney, foi a primeira vez que entrei no parque. Como ainda não tinha carteirinha, conheci um americano, Cameron, no meu primeiro dia lá, que levou a mim e minha amiga Carol, com o Bluepass dele para passar um dia nos parques. Foi inesquecível com certeza. A primeira vez em que vi o castelo da cinderela, em que andei nos parques, em que comi alguma coisa, o primeiro show que vi, Fantasmic, o meu primeiro dia de trabalho, onde tudo parecia mágico. A primeira balada, os amigos. A viagem inteira valeu muito a pena.
BrazilianAbroad.com – Vocês realmente ganharam o salário que vocês esperavam ganhar? Ouvimos muita gente falar que o valor pago por eles geralmente não é aquele repassado pelas agências que organizam o programa. Isso é verdade? Explique para nós.
O salário pode variar de acordo com a posição que você ocupa, as pessoas que trabalham com a limpeza geralmente ganham bem mais que aquelas que trabalham com atrações. Os salva-vidas também tem o salário diferenciado de acordo com a profundidade da piscina em que trabalham, porém, a pessoa precisa ver se ela esta em busca de dinheiro, ou de alguma outra coisa. Pois o trabalho de limpeza, muitas pessoas acambam tendo que trabalhar depois que o parque fecha, e não podem sair a noite, e ainda tem que limpar o parque todo, ou então trabalhar nas piscinas, na época em que estamos lá, faz muito frio, então não se tem muito o que fazer na piscina, acaba sendo um tanto monotono, e de vez em quando, eles jogam um boneco na piscina pra testar você e ver se esta atento caso alguém caia derrepente na piscina. Então, antes de marcar o quadradinho, dizendo quais as suas preferências de trabalho, é bom pensar bem, e ver também, que durante a segunda entrevista, eles avaliam o seu perfil, e dependendo dele, você as vezes não consegue o trabalho que pediu como primeira opção.
BrazilianAbroad.com – Aonde você ficou hospedada?
Todos nos que embarcamos no dia 16 de novembro, ficamos morando no Chatham Square, um dos condomínos da Disney. Chatham é muito bem localizado, fica do lado de uma das paradas de ônibus, que são o meio de transporte utilizados por todos para ir e vir do trabalho e de algumas baladas, e fica do lado do Premium Outleet, que tem lanchonetes, e lojas das melhores marcas com preços maravilhosos. O valor do aluguel, some mágicamente do seu salário, e vai depender da quantidade de pessoas que moram com você, eu morava com 3 americanas, e pagava 90 dólares por semana. Quanto a alimentação tinhamos a opção de comer fora, nos restaurantes, e de fazer compras no mercado, as comidas são baratas, ninguém precisa ficar comendo só comida congelada, da pra fazer um arroz, com peixe por preço bem acessível. A Disney também nos oferecia um livrinho, com vários cupons de desconto, para comer em seus restaurantes, e hotéis. Transporte é gratuito, nos ônibus da Disney se você for para qualquer lugar dentro da disney, se não existem táxis e ônibus de linha que também são muito fáceis e práticos, e não são tão caros.
BrazilianAbroad.com – Aonde você trabalhou? Qual parque? E de que? Foi divertido? Qual era a sua função especificamente?
Trabalhei no Animal Kingdom, em um centro de conservação chamado Rafiki´s Planet Wach. A única forma de chegar lá é de trem, e as vezes, eu tinha que abrir o parque, então o trem ainda não estava funcionando, tinha então que ir andando até lá no frio, que era péssimo. Eu tinha salvo engano, 10 funcões diferentes. Lá é rotatório, então você passa uma hora em uma posicão e depois troca com alguém. Então tinham vezes que eu ficava falando no microfone, ou dando boas vidas as pessoas, ou explicando sobre os macacos. Outras abria e fechava as portas do trem. Explicava sobre o centro de pesquisa, hospital veterinário, explicava sobre as diversas espécies de bodes e ovelhas do mini zoo, controlova a fila para tocas nos animais. Entre outras posições.
BrazilianAbroad.com – Se você tivesse que vivenciar esse momento novamente, você faria alguma coisa diferente? O quê?
Teria feito algumas coisas diferentes sim, como aproveitar mais os parques, jantar e almoçar nos hotéis, tirar mais fotos, ter visto os personagens Disney, ter passado o natal e reveillon nos parques com meus amigos…
BrazilianAbroad.com – Você passou algum mico com a língua ou enquanto estava trabalhando? Conte-nos qual:
Passei, mas não foi nem pela dificuldade com a lingua, mas mais por conta do nervosismo. Tive que falar que os macacos eram da América do Sul, e disse que eram da África do Sul, ou então tinha um pouco de dificuldade para falar stoller (carrinho de bebê) rapidamente durante o meu discurso no trenzinho.
BrazilianAbroad.com – Qual era a sua diversão nas horas vagas? Baladas? Parques da Disney? Deu pra aproveitar um pouco da vida na cidade também?
As horas vagas dava pra curtir bastante. Tive a oportunidade de ir para todas as baladinhas, boates em Downtown. Muitas vezes a gente acaba ficando preso a bolha Disney, e fazendo os mesmos programas sempre, que por sinal são ótimos, e tem muita coisa pra se fazer. Mas uma hora fica um pouco cansativo, ir sempre aos mesmos parques, mesmas baladas. Eu tive a oportunida de conhecer a Universal Studios, SeaWorld, Discovery Cove (nadar com golfinhos), alugamos um carro fomos conhecer o Kennedy Space Center (NASA), Museu de aeronaves de Guerra, a praia de Coco Beach, shoppings.e. Fizemos amizades com pessoas que não tinham ligação nenhuma com a Disney e acabamos indo a festas em casas particulares…
BrazilianAbroad.com – O programa de trabalho na Disney realmente valeu a pena? Conte-nos um pouco do que você aprendeu por lá.
A experiência de trabalhar na Disney é única! Foi umas das melhores viagens e oportunidades que já tive, aprendi bastante a me virar, a não depender de ninguém, a ganhar o meu próprio dinheiro e fazer mágica com ele. Aprendi sobre pessoas, sobre cultura. Que muitas pessoas acham que no Brasil se fala espanhol. Aprendi a lidar com superiores, minha chefe era uma monstra, odiava ela, ela não gostava de mim por ser brasileira, e algumas das pessoas que trabalhavam comigo também não, mas existiam pessoas boas também, que gostavam de mim, e me ajudavam. Aprendi a lutar pelos meus direitos, e não abaixar a cabeça quando eu não estou errada. Aprendi a cuidar de mim, e também de ser responsável por outras pessoas. Teve um dia que um menino autista se perdeu da mãe, e por me achar parecida com ela veio para perto de mim, fiquei com ele, e avisei aos superiores que estava com uma criança perdida, mantive a calma, a criança não deixava mais ninguém tocar nela, a não ser eu, fiquei muito tempo com ele, e varias pessoas me rodiando, enquanto a mãe não aparecia. Neste dia perdi a minha formatura, a festa e tudo mais, mas ajudei alguém, e isso foi ótimo. Aprendi também que nem sempre você vai conviver com pessoas legais, morei com 3 meninas brasileiras, com as quais não me dei muito bem, mas consegui morar com elas até o final. Tudo lá é uma experiência, tudo é válido. Basta estar com a mente aberta, sonhando, mas com os pés no chão.
BrazilianAbroad.com – Deixe aquele recado para o pessoal que sonha em ganhar uma vaga no programa de trabalho da Disney.
Nunca desistam dos sonhos de vocês! Se trabalhar na disney é o que vocês realmente querem, então nada pode impedir. Aprendi que sonhar é apenas o começo, que eu tenho a capacidade de ir lá e tornar realidade. A Disney é um aprendizado, e um sonho, do qual não existe quem consiga sair infeliz. Tive decepções, magoas, chorei muito, mas foi a melhor coisa que fiz na vida! É algo que vai marcar a vida de vocês pra sempre!
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